Sunday, 5 February 2017

Chegando em Auckland e buscando moradia



Chegamos em Auckland dia 20 de Outubro de 2016. Planejamos uma estadia de um mês num apartamento localizado no centro (CBD) com o objetivo de arranjar um local para aluguel de longa permanência. Esse primeiro apartamento foi alugado pelo AirBnB.

Surpreendentemente, nao foi tao fácil quanto parecia alugar um apartamento para longa permanência. Apesar de haver listagens de todas as propriedades na internet, muitos agentes imobiliários não respondiam e-mails, não atendiam telefonemas, e vimos algumas casas sendo alugadas antes mesmo de conseguirmos contactar os proprietários.

Sabíamos que seria necessario um comprovante de endereço para poder matricular as crianças na escola, já que a educação primaria e publica, gratuita, e definida pela zona onde as crianças residem, assim como em países como a Australia e os EUA. Chegamos a cogitar a compra de um imóvel, para acelerar o processo, mesmo com imóveis custando quase três vezes o preco do metro quadrado de Sao Paulo.

Felizmente, nao foi necessario. Conseguimos agendar algumas visitas, vimos duas casas sendo alugadas para outras famílias, e entao percebemos que os proprietários escolhiam os locadores, e talvez o fato de sermos estrangeiros pudesse estar pesando.

Ao visitar a terceira propriedade, depois de avaliar centenas de opcoes on-line, vimos uma town house muito bacana, nova, numa localização excelente, porem, segundo o corretor nos alertara, havia uma construcao ao lado do propriedade. Pensamos ter encontrado o lugar ideal, ja que talvez a concorrência não fosse tao grande.

Visitamos a propriedade, fizemos uma oferta (pagamento do valor do aluguel estipulado, porem com 6 meses adiantados) e nos aceitaram! O aluguel não e nada barato (690 NZD por semana) porem o lugar atende perfeitamente nossas necessidades. E o transtorno da construção mal nos incomoda.

No fim das contas nem foi necessário pagar os meses adiantados de aluguel. Aparentemente os proprietários deram um voto de confiança para nos, brasileiros.


Visto de Estudante



O visto de estudante foi solicitado independentemente, porem contei com a assessoria de uma agencia baseada em Auckland, seu nome e NEXT (http://www.nexteducation.com.br) . O proprietário e brasileiro e se chama Leonardo Toffono, ele e muito acessível e sua ajuda foi de grande valia. Recomendo seu trabalho.

O curso que escolhi foi uma pos graduação em Applied Business (level 8). Na Nova Zelândia, assim como na Australia, os níveis de educação são numerados de 1 a 10. O nível 6 corresponde ao bacharelado do Brasil, os níveis 7 e 8 são pos graduações, o nível 9 seria o mestrado e o nível 10, doutorado. Esse curso, portanto e bastante avançado e me permite conseguir emprego ou me preparar para abrir um negocio em Auckland.

O custo do visto de estudante gira em torno de 300 dolares neozelandeses por pessoa, portanto cerca de 1200 dolares para uma família de 4 pessoas. Na data em que escrevo este post 1 NZD = 0,73 USD = 2,28 BRL para efeito de comparação.


Prazos

O visto de estudante demora algumas semanas para ser solicitado, ja que a instituição onde sera feito o curso precisa aprovar sua intenção de matricula, emitir uma carta convite que devera ser apresentada a imigração, o curso deve ser integralmente pago, e o comprovante de pagamento deve ser apresentado também no pedido de visto.


Analise

Uma vez que o pedido de visto e enviado, o prazo para analise e de 20 dias para vistos solicitados on-line (quando apenas o estudante esta fazendo a solicitação) ou 25 dias para vistos solicitados em documentos de papel (quando o estudante esta solicitando vistos para sua família também). No nosso caso, pedimos o visto dia 05 de dezembro e so recebemos todos os passaportes dia 01 de fevereiro, houve um atraso de cerca de 1 mês, portanto (provavelmente em decorrência do recesso de fim de ano). Como nosso visto de visitante iria expirar, a imigração emitiu um visto interino, que nos dava os mesmos direitos do visto solicitado, com duração ate a decisão sobre o visto solicitado, ou o máximo de 6 meses, o que ocorresse primeiro.

O visto de estudante (fee paying international student) permite trabalhar meio período (ate 20 horas semanais, e 40 horas durante as ferias).

Taxa de aprovação

Nao tenho informacoes sobre brasileiros, porem ja li que indianos tem uma taxa de recusa do visto da ordem de 50%, uma vez que muitos falsificam documentos para poder estudar fora e tentar melhorar de vida. E importante estar atento quanto aos documentos requisitados e obviamente apresentar apenas documentos legítimos.


Opções de visto na Nova Zelandia



Quando decidimos viver em Auckland, na Nova Zelandia, fomos estudar as opções de visto, e as mais adequadas foram:

1. Visto de estudante - esse visto permite estudar por ate 4 anos e trabalhar meio período, durante o curso. O visto permite ainda que o(a) parceiro(a) e os filhos menores acompanhem o estudante principal.

2. Visto de trabalho - esse visto permite trabalhar caso haja uma oferta de trabalho, ha uma escala de pontos para obtenção deste visto.

3. Visto de investidor / empreendedor - Esses vistos permitem residir indefinidamente apos um certo investimento, dependem tambem de uma certa qualificação do candidato.

A opcao que fizemos foi de solicitar inicialmente um visto de estudante e posteriormente um visto de empreendedor ou investidor. Essa solicitação seria feita ja na Nova Zelândia, onde entraríamos com um visto de turista (Brasileiros tem direito a 3 meses de permanência para turismo, sem necessidade de solicitação adicional de visto).

O visto de estudante que escolhemos e' o international fee paying student visa, e da direito a trazer os filhos menores de idade como domestic students, ou seja, eles não precisam pagar pela educação primaria / secundaria. Essa vantagem, por si so, significa uma economia de pelo menos 20 mil dolares neozelandeses por ano. A companheira do candidato principal aplica ao partner based worker visa, que da direito a trabalho integral (40 horas por semana).

O visto de estudante requer proficiencia em lingua inglesa, o exame IELTS pode ser utilizado, e a media deve ser superior a 6 (seis). O exame deve ser recente (maximo de 2 anos). Como fiz um exame antes de sair do Brasil, e obtive media 8 (de um maximo de 9), nao tive problemas.

O visto de estudante e considerado temporario, portanto não qualifica como permanência que permite aplicar para cidadania. Apenas vistos de residência indefinida, como o visto de investidor, ou o visto de empreendedor residente qualificam para esse fim.

Apos 5 anos como residente permanente, e possível solicitar cidadania.

O passaporte neozelandes da acesso a mais de 150 países sem vistos, sendo um dos mais cobiçados do mundo. Alem disso a justiça na Nova Zelândia e confiavel de acordo com a maioria da população.


Saturday, 4 February 2017

Onde viver?



Como e difícil escolher uma cidade fora do Brasil para se morar.

Quando todas as cidades de todos os países estão na mira, fica dificil optar. Para facilitar, elencamos algumas prioridades:

1. Segurança - O local escolhido deveria obrigatoriamente ter um índice de criminalidade inferior ao da cidade em que residíamos.

2. Educação - O local escolhido deveria possibilitar que as crianças estudassem em boas universidades no futuro (não necessariamente no mesmo pais onde estaríamos, mas a mudança deveria ser factível).

3. Clima - O inverno não poderia ser muito rigoroso, nem tampouco o verão quente demais.

4. Custo de vida - não poderia ser demasiadamente alto

5. Cultura - ao escolher uma grande metropole, o choque cultural não seria tao grande. Preferencialmente um pais que falasse a lingua inglesa.

6. Qualidade de vida - critério subjetivo, porem ha cidades que sao famosas por proporcionar boa relação trabalho/lazer

7. Distancia do Brasil - Um critério menor, porem, idealmente um pais não tao distante.

Depois de viajar por 13 países em 2016, e pesquisar muito, escolhemos tentar nos fixar em Melbourne, na Australia. Pouco tempos antes do embarque, mudamos de ideia e decidimos tentar nos fixar em Auckland na Nova Zelândia. O que pesou foi a dificuldade em obter visto e trabalho na austrália, bem como os incentivos fiscais que a Nova Zelândia oferecia nos primeiros quatro anos após a imigração.

E a cidade? Viver num grande centro ou numa cidade pequena? Levando em consideração as facilidades de estar na maior cidade e a baixa incidência de terremotos, optamos por viver em Auckland.

Viver no centro ou num bairro mais periférico? Entre os dois, ficamos no meio do caminho. Escolhemos um bairro localizado a cerca de 5km do centro, porem, com um pequeno comercio proximo, de forma que não seria necessário possuir automóvel.

Estamos muito satisfeitos com a escolha, e somos gratos por podermos desfrutar da vida que levamos em Auckland.

Sobre nos

nao somos estes, mas o numero e os gêneros batem

Somos uma familia formada por pai, mae, um casal de filhos nascidos em 2009 e 2011.

Ele: em sua quarta década de vida, medico, viajante desde a juventude, sempre aspirou viver fora do pais.

Ela: enfermeira, mae em tempo integral desde o nascimento da primogenita, em 2009. Tambem aspira viver fora do pais desde a juventude.

As crianças sempre estudaram em escola internacional, onde aprenderam um pouco de ingles, o que facilita a imigração para a Nova Zelândia.

Planejamento nunca foi o nosso forte, no entanto, compensamos a desorganização com compreensão, apoio mutuo e procuramos ser otimistas, ter uma postura humilde e de gratidão. Tudo isso facilitou muito o processo de imigração.


Muitas pessoas consideram a possibilidade de sair do pais. Muitas desistem frente as primeiras dificuldades. Algumas delas buscam justificativas para não sair. "Se eu fosse mais novo..." , "Se meu trabalho permitisse...", "Se eu tivesse mais dinheiro...", sao algumas desculpas. No fundo talvez seja melhor não tentar, pois a mudança pode ser muito desgastaste se não houver forca de vontade.

Nao conheço ninguém que tenha emigrado do Brasil legalmente para exercer uma atividade profissional qualificada ou para se aposentar que tenha se arrependido. Quem se arrepende geralmente foi ilegalmente ou foi legalmente exercer uma atividade tipo subemprego. Esse fato nos encorajou a tentar.


O ser humano naturalmente faz comparações. Sera que a mudança veio para melhor? Por mais que façamos um planejamento, e impossível colocar tudo na balança. Ha muitos sentimentos subjetivos. Sera que vamos gostar do ambiente, das pessoas? Sera que a saudade vai apertar forte demais? Sera que a sensação de segurança vai ser uma recompensa presente? As pessoas tendem a esquecer das conquistas e se focar nos problemas. Apreciar uma mudança requer uma postura otimista, de gratidão.

O balanco de nossa mudança ate aqui e muito positivo. Temos vontade de trazer todos os familiares e amigos. Infelizmente não e possível, mas estamos felizes por termos arriscado e fariamos tudo novamente (mais precocemente, se fosse possível voltar no tempo).

Decisão tomada, como concretizar a mudança



Uma vez que se decidiu emigrar, e necessário pensar como lidar com cada item que sera afetado com a mudança. Algumas decisões podem ser revertidas com um pequeno esforço / baixo custo, outras irao requerer um grande esforço ou trarão um custo considerável. Nada, no entanto, não pode ser desfeito. O bem estar e a segurança da família devem vir em primeiro lugar.



Residencia atual

O que fazer com a casa ou apartamento onde moram atualmente? No nosso caso, tratava-se de um apartamento próprio, comprado em 2012. Haviamos nos mudado em janeiro de 2013, e nesse mesmo ano ja estavamos pensando em mudar definitivamente do Brasil. No ano de 2011 havia nascido nosso caçula, e estavamos muito felizes com a cidade no interior de sao paulo onde morávamos. Não nos viamos morando em outra cidade no Brasil. A vontade de adquirir um imóvel para morarmos crescia, e a ideia de emigrar para outro pais parecia algo distante, afinal, com duas crianças pequenas essa ideia parecia muito distante.

Vender o imovel seria a solução mais radical, mais definitiva. Financeiramente provavelmente a melhor, tambem. No entanto, a conjuntura econômica não era favorável e vender em tempos de crise significaria abraçar um prejuízo. Alugar o imóvel tambem não era uma solução muito interessante, ja que teríamos de colocar alguém para se responsabilizar pelo inquilino, fazer eventuais reformas que surgissem, alem de depreciar um imóvel novo em folha.

A solução que surgiu foi melhor do que podíamos imaginar. A mae deste que vos escreve resolveu alugar o imóvel, entao pudemos ter a tranqüilidade de saber que o imóvel estaria sendo bem cuidado, não teríamos de nos preocupar com correspondências que chegassem no endereço antigo, e eventuais perdas com o aluguel ficariam na família. A sorte que tivemos foi incrível e isso nos deu muita forca para seguir adiante em nossos planos de emigração.



Trabalho

Comunicar o empregador / socio que existe o plano de emigrar e a atitude mais sensata, afinal, devemos preparar os colegas para sermos substituídos.  No nosso caso, como profissional liberal, planejei o encerramento das atividades e da empresa, que foram passos importantes, reversíveis a um custo bem grande, porem, fundamentais para a mudança.



Escola das crianças

Decidir por encerrar a matricula das crianças, principalmente em escolas onde as vagas sao concorridas, não e uma decisão fácil. Caso os planos mudem, sera necessário buscar outra escola na mesma cidade. Demos esse passo em Setembro de 2015 e felizmente não foi necessário voltar atras.



Venda do(s) carro(s)

Em meados de 2014 ja haviamos vendido o segundo carro, ficando com apenas um veiculo para o transporte escolar, fazer comprar e alguns deslocamentos para o trabalho (outros eram feitos a pe ou de ônibus). Em dezembro de 2015 acabamos colocando o veiculo restante a venda, e contamos com a ajuda do irmão deste que vos escreve para vender o veiculo. Caso os planos sejam abortados, comprar um carro não e algo muito oneroso, no entanto, o tempo que se fica sem carro deve ser planejado, ja que pode causar transtornos.



Pendencias

Deixei uma procuração com meu irmão para resolver pendências no banco, no entanto, sempre pode surgir alguma coisa que demande um retorno não planejado. Deve-se tentar antecipar o surgimento de questões pendentes, como processos judiciais, e resolver da melhor forma, mas nem sempre e possível.

Por que se mudar do Brasil?



Muito antes do nascimento dos nossos filhos ja falávamos em nos mudar do Brasil. Esse era um desejo de ambos, antes mesmo de nos conhecermos.

As conversas giravam no plano das ideias, porem, em 2013 os planos começaram a ficar mais sérios.

Os dois principais motivos para deixarmos o pais eram a insegurança e a postura do brasileiro frente a corrupção, de forma geral.  



Avaliar a sensação de segurança que se tem ao viver num determinado lugar e uma tarefa dificil, ja que tudo vai bem ate o momento em que ocorre algo, e voce vira vitima da violência. Quando isso acontece já pode ser tarde demais. No entanto, mesmo antes de ser vitima da violência, a vida que se leva, como refém do crime, pode ser incomoda demais. A falta de liberdade, a constante preocupação quanto a segurança, os gastos com segurança privada, tudo isso deve pesar na escolha de continuar vivendo no Brasil ou decidir emigrar.



A questão da corrupção, tao presente no dia-a-dia do brasileiro, nas pequenas coisas, no vizinho que quer levar vantagem em tudo, a lei de Gerson, tudo isso esta muito presente nos valores do brasileiro, e alem de incomodar muito quem não compartilha desses valores, incomoda ainda mais quando se tenta criar dois filhos num ambiente marcado por ensinar uma coisa, depois ter de explicar as exceções. 

A decisão de emigrar nunca e fácil, o receio de se frustrar, de perder o que foi tao duro de conquistar, o medo de se arrepender, quando for tarde demais, tudo isso pode gerar muita ansiedade, e conosco não foi diferente.

A medida que as crianças cresciam, pensamos em inúmeras formas de emigrar, inclusive consideramos levar uma vida de viajantes perpétuos, passando cerca de 3 meses em cada pais, de forma que não seria necessário obter visto de residência em lugar algum. A dificuldade de educação das crianças seria superada através de homeschooling, e essa vida nômade nos daria liberdade e traria muitos ensinamentos as crianças. 



Viajantes perpetuos

Chegamos a escolher o ano de 2015 para sair do pais, no entanto, por inúmeros motivos resolvemos adiar um ano. No ano de 2016 sairíamos. Ao final de 2015 tomamos algumas medidas que nos forcariam a realmente sair do pais, nada muito irreversível, mas cada passo na direção da emigração nos faz pensar mais antes de desistir.

Em dezembro de 2015 sairíamos, e entao passaríamos o verão do hemisfério sul em alguma localidade agradável e com relativo baixo custo. Escolhemos as Ilhas Canário, na costa de Marrocos, porem, pertencentes a Espanha. Mudamos de ideia. Resolvemos ir ao Uruguay. Punta del Este e Montevideo seriam o destino escolhido. 

Quando faltavam alguns poucos meses para a nossa saída, reconsideramos a possibilidade de viajar de forma perpetua e achamos mais prudente nos fixarmos em um destino único. Entre as possibilidades estavam Portugal, Canada e Australia. Como ja havíamos planejado o desligamento das atividades profissionais, o cancelamento da matricula das crianças na escola, decidimos tirar o ano de 2016 para viajar e conhecer muitos países, inclusive os destinos para nos fixarmos, e entao decidir. Seria como um ano sabático, e entao, no fim de 2016 iríamos definitivamente para o destino escolhido.



Emigração convencional

Em 11 de Setembro de 2016 saímos do Brasil com destino a Melbourne, na Australia, para tentar nos fixar definitivamente por la, no entanto, reconsiderando as opções de visto, optamos de ultima hora por mudar o destino para Auckland, na Nova Zelândia.